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Os personagens falam

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«Que me importa a morte dos outros, o amor de uma mãe e de uma noiva, que me importa! Que me importa Deus e as vidas que se escolhem. Também os outros um dia serão condenados. Que me importa se, acusado de delito premeditado, duplo, triplo, vou ser executado, por não ter chorado no enterro da minha mãe. E depois? Era como se durante todo este tempo tivesse estado à espera deste minuto.»

Personagem: Lafácio
Peça: As Lágrimas de Lafcádio
Autoria do texto citado: André Gide
Ano de apresentação da peça: 1996

Recordar: «As Lágrimas de Lafcádio»

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«As Lágrimas de Lafcádio»

Apresentado nos dias 21, 22 e 23 de Abril e 01 de Setembro de 1995, no Centro Cultural Português de S. Vicente.
Espectáculos nos dia 28 e 29 de Abril de 1995, no Centro Cultural Português da Praia


7ª Produção Teatral
Elenco: Elisângela Monteiro, Elisângelo Ramos, Gabriel Reis, João Paulo Brito, Paulo Miranda e Sílvia Lima.

Ano: 1995
Apresentações: 5

Estimativa de público em Cabo Verde: 500

Eis, se o destino assim o quiser, uma das peças que iremos rever em tempos muito próximos, numa reposição, 13 anos depois. O João Paulo Brito, Silvia Lima e o Gabriel Reis estão por aqui e com muita vontade de por a mão na massa! Quem sabe se será já em 2008?

Os personagens falam

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«Há muitos que crêem ser capazes de tudo, mas no momento de agir, voltam atrás. Mas não é o meu caso! Quanto relativa é a distância entre a imaginação e os factos concretos. É como um jogo de xadrez! Peça tocada, peça jogada!!»

Personagem: Lafácio
Peça: As Lágrimas de Lafcádio
Autoria do texto citado: André Gide
Ano de apresentação da peça: 1996

Peças em Imagens: Lágrimas de Lafcádio (1996)

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@ Fotografias de Manu Preto
O maravilhoso preto e branco de Lafcádio. Um dia voltaremos a ele!

Historial: As Lágrimas de Lafcádio

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@"Lágrimas de Lafcádio", 1995 - foto de Manu Preto



As Lágrimas de Lafcádio

Em 1996, o GTCCPM volta a surpreender com uma peça diferente de tudo o que Cabo Verde já vira, numa ousada encenação do italiano Lamberto Carrozzi. O choque foi grande, o sucesso também. Falou-se de morte, de sexo, de traição e de violência. Sem tabus!


O Teatro Como Traição
Texto inserido no programa da peça «As Lágrimas de Lafcádio»
Encontro-me pela terceira vez a realizar um balanço sobre uma experiência teatral em mindelo, três momentos diferentes, unidos sempre pelo mesmo objectivo: fazer teatro. Pela terceira vez encontro um grupo que com tenacidade e sacrifício segue percorrendo um caminho complicado e cheio de obstáculos, como aquele que leva ao teatro: a arte de fazer espectáculos, de entreter um público, e seduzi-lo, para contar mentiras e verdades, para o surpreender, e talvez o enganar, mesmo durante só uma hora, com a idéia de que o Teatro ainda está vivo e é capaz de interpretar o presente. Sobretudo hoje e sobretudo em contraste com uma realidade que já decretou o fim mesmo do Teatro. No curso destas três experiências mindelenses, as pessoas que ficaram a meu lado amadureceram. O Teatro para eles já não é mais só um jogo, existe a necessidade de aprofundar. Nasceu então quase espontaneamente um atelier de dramaturgia, onde eu propus trabalhar sobre dois textos, de dois grandes escritores franceses, Gide e Camus. Dois textos muito diferentes entre eles mas em alguns aspectos consequenciais. Nos dois, existe um delito cometido a sangue frio. No romance de Gide («As Caves do Vaticano»), o delito é realizado na completa consciência do acto assassino, e no de Camus («O Estrangeiro»), o homicídio se consome na casualidade e na mais completa ignorância da existência do crime. A grande actualidade das duas obras permitiu trabalhar sobre temáticas sempre fundamentais na vida de todos em qualquer lugar do mundo. Uma condição necessária visto que o projecto envolve pessoas de quatro nacionalidades distintas. Começamos o trabalho num clima de grande confiança recíproca, sem a qual teria sido impossível enfrentar argumentos delicados e difíceis, como os que envolvem a morte, a loucura, o sexo, o amor e a culpa. «Lafcádio», um dos protagonistas do romance de Gide, foi escolhido como ponto de convergência entre a nossa experiência teatral e as duas obras literárias. O «nosso Lafcádio» também mata com o único objectivo de verificar se é capaz de chegar a tal extremo. O «nosso Lafcádio» também mata sem perceber, mas o destino do «nosso Lafcádio» desenvolveu-se num percurso autónomo que não existe nem em Gide nem em Camus. Esta traição formal foi feita conscientemente para melhor captar o espírito, a lição das duas obras. O «nosso Lafcádio» é tão perigoso quanto indefeso. É incapaz de conviver porque não sabe esconder as suas próprias anárquicas pulsões, que o condenam à solidão. Seguramente, vive numa cidade muito maior do que ele, e que não é a sua, onde luta contra a angústia e o abandono de uma maneira tão ingénua quanto violenta. Para nós foi muito complicado o julgamento deste personagem, pois que direito teríamos de condenar ou absolver «Lafcádio»? Sobretudo depois de nos ter dado a oportunidade de trabalhar em conjunto. Então, quero agradecer a «Lafcádio». Quero agradecer também a João Branco pelo respeito que tem pelo meu trabalho, respeito esse recíproco. Agradeço aos actores do Centro Cultural Português por terem aceite com coragem este desafio, que segundo a lição de «Lafcádio» foi enfrentado de uma forma total.
Abril 95 / Lamberto Carrozzi

A silhueta de Lafcádio
Texto inserido no programa da peça «As Lágrimas de Lafcádio»
Ao convidar Lamberto Carrozzi para dar corpo a um novo projecto teatral, o Centro Cultural Português (Mindelo e Praia) prova mais uma vez, se preciso fosse, a enorme importância que esta forma artística tem na divulgação cultural, que é a principal função dos Centros Culturais (sejam eles em que país forem, estejam eles em que país estiverem). Em Mindelo o teatro é tratado com carinho especial, e sem fugirmos à verdade nem ao espírito de humildade que sempre caracterizou o nosso trabalho, podemos afirmar que este está inequivocamente ligado à renovação que se tem vindo a sentir desde 93, no teatro mindelense. Para além de funcionar como «um canteiro de novos actores» (jornal «A Semana»), encara o teatro como uma arte de expressão onde tudo é possível, onde a única regra é não haver regra nenhuma e onde o cunho de ousado e provocador dado ao teatro desenvolvido neste Centro não é só adjectivação incoerente e frívola para bom letrado entendedor. Principalmente por isso, a oportunidade de conhecer e trabalhar com Lamberto Carrozzi à dois anos no atelier teatral desenvolvido pela associação «Caliban» e que esteve na origem da peça «Sofias» (a partir do texto «Filumena Marturano» de Edoardo de Filippo), foi um passo decisivo em tudo o que foi feito posteriormente. Foi, pois, com grande entusiasmo que os actores e o responsável do grupo de teatro do Centro Cultural Português, acolheram a vontade deste encenador em voltar a desenvolver um projecto teatral em Mindelo. Daí até à escolha do texto inicial (em constante modificação e pós-construção durante os ensaios, encarados também como atelier dramatúrgico), das temáticas envolvidas, dos actores disponíveis e desde o início solidários e prontos a arriscar, foi um passo. Um passo que deu origem à peça «As Lágrimas de Lafcádio», e que com seis actores cabo-verdianos, dois Centros Culturais Portugueses, um encenador italiano e textos construídos a partir de dois escritores franceses (André Gide e Albert Camus), vem demonstrar a profunda inter-culturalidade que caracteriza este projecto, o que é uma das características do mundo moderno. Porquê «As Lágrimas de Lafcádio»? Citando Peter Brook: «Quando um espectáculo termina, o que permanece? O divertimento pode ser esquecido, mas as emoções fortes também desaparecem e as belas polémicas perdem o fio; quando a emoção e a polémica estão sujeitos a um desejo da platéia de se ver internamente com mais clareza, então algumas coisa arde na mente. O acontecimento imprime a fogo na memória um traço, um sabor, um perfil, um odor – um quadro. É a imagem central da peça que permanece, a sua silhueta, e se os elementos estiverem ligados correctamente, esta silhueta será o significado da peça (...)» E se assim não fôr? O público, sempre o público, ditará a sua sentença. De qualquer forma não vale a pena chorar sobre o leite derramado.
Abril 95 / João Branco

Ficha Técnica

Encenação
Lamberto Carrozzi
Elaboração Dramatúrgica
Colectiva
a partir de “O Estrangeiro” de Albert Camus e “As Caves do Vaticano” de André Gide
Assistência de Encenação
João Branco
Cenografia
Lamberto Carrozzi e João Branco
Figurinos
Mirita Veríssimo
Som / Iluminação
João Branco / Pedro Alcântara

Actores
João Paulo Brito
Gabriel Reis
Paulo Miranda
Silvia Lima
Elisângela Monteiro
Elisângelo Ramos

Assessoria de Imprensa: Elisângelo Ramos



Apresentação

Dias 21, 22 e 23 de Abril de 1995, no Centro Cultural Português do Mindelo
Dia 01 de Setembro de 1995, no Centro Cultural Português do Mindelo
- Participação no Festival Mindelact 95 -
Dias 28 e 29 de Abril de 1995, no Centro Cultural Português da Praia