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Personagens que falam

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«Não! Un ta na nha sepultura! Por favor, eskecê e perdoâm. Un ta bedjo e tonte. Kond bô pedir nha bençon, mim de joêl un ta pedib perdon. Assim no ta ba vivê, ta cantá e ta razá, e ta contá estória antigue, e ta ri de borboleta dourâd, e t’ouvi uns pobre diabo t’falá de notícia de Corte. Limpa bôs oye, princesa. Besoute ba tud po diâbe!! Assassinos, traidores! Un podia têb salvade! Cordélia! Cordélia! Agora un ta bedjo e tormente tita dá cabe d’mim. Quem ké bô? Cordélia, nha princesa.»

Personagem: Rei Lear
Peça: Rei Lear
Autoria do texto citado: William Shakespeare
Ano de apresentação da peça: 2003

Peça em Imagens: Romeu e Julieta (1998) II

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Peça: Romeu e Julieta (1998)
Fotografias de Cristina Peres


Que saudades deste nosso Romeu e Julieta, em pleno Rivoli da cidade do Porto! Terá sido, muito provavelmente, a série de espectáculos onde as condições técnicas foram melhores, com um inacreditável desenho de luz de César Fortes...

Peças em Imagens: Rei Lear II (2003)

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@ Foto de Luis Couto
A peça de Shakespeare em crioulo que arrasou em 2003

Personagens que falam

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«Os amantes para se amarem, não precisam de outra luz, senão da que dimana da sua própria beleza; se é verdade que o amor é cego, harmoniza-se com as trevas da noite. Vem! oh! Noite gentil! Os teus vestidos são severos e negros. Vem amável noite, de fronte carregada, entrega-me Romeu; e quando ele morrer, toma-o e transforma-o em pequeninas estrelas; voltará a sua face tão brilhante para o céu, que o mundo inteiro se apaixonará pela noite e não mais prestará homenagem ao alegre Sol! Eu já comprei palácio para o amor, mas ainda não tomei posse dele; também já não sou de mim própria e ainda não sou possuída!»

Personagem: Julieta
Peça: Romeu e Julieta
Autoria do texto citado: Shakespeare
Ano de apresentação da peça: 1998

Merecida Homenagem

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Fonseca Soares não é do nosso grupo, mas é como se fosse.

Ele é de todos nós, sempre disponível para trabalhar em prol do teatro. O Atelier Teatrakácia, certamente, não se importará que prestemos esta merecida homenagem a um dos actores mais versáteis do teatro cabo-verdiano.

As imagens dizem quase tudo sobre este «nosso» actor, o cabo-verdiano que, em 2003, aceitou o desafio de interpretar o mítico papel do Rei Lear, de William Shakespeare, em crioulo. Orgulhosamente!










As fotos por ordem:

1. «Rei Lear» / GTCCPM (@ foto João Branco)
2. «Auto da Compadecida» / GTCCPM (@ foto João Barbosa)
3. «Conde de Abranhos» / GTCCPM (@ foto João Branco)
4. «Invasão do Lixo» / TIM (@ foto João Barbosa)
5. «Três Irmãs» / GTCCPM (@ foto João Barbosa)
6. «Pluft, o Fantasminha» / Teatrakácia (@ foto João Barbosa)
7. «Mar Alto» / GTCCPM (@ foto João Barbosa)
8. «Sete Pecados Capitais» / Teatrakácia (@ foto João Barbosa)
9. «A Greve dos Livros» / TIM (@ foto João Branco)

Proscénio: cartaz Romeu e Julieta

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(pormenor do desenho)

Cartaz da peça "Romeu e Julieta"



Ano: 1997
Desenho: Luisa Queirós
Design Gráfico: João Branco

Peças em Imagens: Rei Lear (2003)

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@ Fotos de João Branco

Rei Lear ou a magia do crioulo shakespeareano

Peças em imagens: Romeu e Julieta (1998)

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@ Fotos de Cristina Peres
Romeu e Julieta a falar crioulo: Shakespeare haveria de gostar da ideia!

Nho Rei Já Bá Cabéça

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Em 2003, o nosso grupo, em co-produção com o Atelier Teatrakácia, avança para a segunda crioulização de uma peça de Shakespeare. Desta vez a escolha recaiu para uma das suas mais famosas tragédias, "Rei Lear". Estreada no Festival Mindelact 2003, o resultado foi um enorme sucesso.

Rei Lear
Nho Rei Já Bá Cabeça


A Peça
O perfil psicológico do Rei Lear, a sua aposta na sucessão, ao querer dar o reino à filha que mais o amasse, dão sinal de megalomania, que é má conselheira em matéria política. A sageza na vida e na arte de governar, que se ganha com a experiência, abandona o Rei Lear, deixa-o à mercê das paixões, da vaidade pessoal, levando à tragédia, cuja magnitude se impõem em toda a complexidade das cenas que constituem a narrativa do drama. A questão do poder e a sua representação nas tábuas de um palco continuam a ter uma importância excepcional no que toca ao seu aspecto dramático. O teatro de Shakespeare, mais do que para ser lido, é para ser visto e ouvido, e o texto tem, por isso, de sugerir uma dimensão visual do espectador. E esta parábola da arte de reinar e dos afectos, que condicionam ou perturbam a escolha do governante, tem raízes profundas na cultura e no imaginário popular. Rei Lear é um dos mais conhecidos e populares dramas históricos do maior dramaturgo de todos os tempos, e esta é a segunda vez, depois da apresentação de “Romeu e Julieta” (1998) que textos de Shakespeare são apresentados em crioulo.

Dois Grupos de Teatro, Um Encontro de Gerações
Nesta co-produção, pode-se dizê-lo, juntam-se duas gerações de grupos de teatro. Por um lado, o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, o mais internacional dos grupos de teatro em Cabo Verde, e que no auge das comemorações do seu 10º aniversário, aposta pela segunda vez numa adaptação de uma peça de W. Shakespeare, depois do estrondoso sucesso que foi a adaptação, em 1998, de “Romeu e Julieta”. Por outro lado, o Atelier Teatrakácia, grupo oriundo precisamente da escola de formação teatral do Centro Cultural Português, e que, com um ano de vida, tem contribuído para a manutenção da enorme vitalidade do teatro na ilha de S. Vicente.



Ficha Artística

Autor
William Shakespeare
Adaptação
Fonseca Soares e João Branco
Tradução para o crioulo
Coordenação: Fonseca Soares
Direcção Artística, encenação e cenografia
João Branco

Desenho de Luzes
César Fortes e João Branco
Operação de Luz
Edson Fortes
Figurinos
Elisabete Gonçalves
Execução dos Figurinos
Sissi Tiene
Direcção de Cena
Hélder Antunes
Concepção do Trono
Manú Cabral

Interpretação
Do elenco do Grupo de Teatro do CCP Mindelo

Anselmo Fortes
Arlindo Rocha
Ludmila Évora
Nelson Rocha
Romilda Silva

Do Atelier Teatrakácia
Fonseca Soares
Helena Rodrigues
José Rui Martins
Nuno Delgado

Uma carta especial...

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Uma Carta Especial

“Caro João Branco!Porque penso que qualquer ser humano gosta de ver o seu trabalho reconhecido, principalmente por um público anônimo e, mormente, quando de trabalho artístico se trata, gostaria de uma forma muito singela mas muito sincera, expressar-lhe o que venho sentindo quando me é dada a oportunidade de ver, sentir e apreciar uma peça teatral do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português:

Fico pura e simplesmente extasiada.

No caso concreto da peça «Romeu e Julieta» e antes de a vir ver, pensava – como será possível adaptar a peça à realidade cabo-verdiana?

Mas depois repensava – bom, com o João Branco em cena, há-de sair obra!
E saiu!

Os meus parabéns a todos os elementos do grupo e que muitos mais trabalhos sejam feitos em prol do Teatro Cabo-verdiano, do Teatro Universal.Com amizade e admiração

Mindelo, 08 de Junho de 1998

Assinatura ilegível”

O Mundo do Teatro em Cabo Verde

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Um artigo de Germano Almeida

O Mundo no Teatro em Cabo Verde
a propósito da estréia do espectáculo «Romeu e Julieta»

Se o isolamento em que vivemos ao longo dos séculos teve a vantagem de fazer com que Cabo Verde funcionasse com uma espécie de laboratório onde diversas raças e culturas se viram em forçado e estreito contacto e na maioria do tempo irmanadas pelas grandes tragédias que eram as secas que assolavam as ilhas, mas acabando por surgir desse convívio essa particular forma de estar e de ver o mundo a que chamamos cabo-verdianidade, também não podemos negar que esse mesmo isolamento é igualmente responsável por não poucas perniciosas formas de encarar a vida que acabamos alcandorando como apanágio do ilhéu, quando na verdade mais não são que a auto-suficiência de quem eternamente vive com os olhos no próprio umbigo.

Por mim sempre achei que essa ausência de contacto com o exterior, essa infelicidade de não termos que nos comparar e muito menos concorrer, tinha a suprema desvantagem de nos fazer continuar fechados nessa torre de basofaria nacional que afinal das contas é uma das principais responsáveis por atrasos a muitos e diversos níveis que recusamos reconhecer simplesmente porque isso fere o nosso incomensurável orgulho.

Ora o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo teve o mérito de trazer pelo menos duas coisas, não apenas ao teatro cabo-verdiano, mas também à nossa sociedade em geral: primeiro, a humildade, a seguir, a percepção de que o mundo não se esgota em nós mesmos.

Essa humildade não é senão decorrência de uma abertura a outras formas de sociedade e de cultura que acabam fatalmente por se interpenetrar com a nossa pelas formas mais diferentes, mais especificamente neste caso através de adaptações de obras literárias de grandes autores que a Humanidade conheceu e que, interpretadas à luz da realidade destas ilhas e usando com instrumento o crioulo, nada perdem da sua graça e magia, mas pelo contrário como que ganham um fôlego renovado. Duas delas me marcaram particularmente: «A Casa de Nha Bernarda» e «Romeu e Julieta». Onde quer que se encontrem, tanto Garcia Lorca com Shakespeare devem ter-se sentido honrados ao verem-se adaptados e representados em crioulo de Cabo Verde.

Germano Almeida – Maio de 97

Crítica: Romeu e Julieta

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Crítica da peça «Romeu e Julieta" publicada no Jornal de Notícias (Portugal)

“A peça do grupo mindelense, que revela talento, dedicação e capacidades inesperadas numa cidade sem tradições teatrais dignas de especial referência, reuslta extremamente sedutora e conheceu um grande êxito nos palcos de Cabo Verde onde foi apresentada, apesar da economia de meios em que o grupo desenvolve a sua actividade. Tem soluções e recursos de efeito muito bem conseguidos – a utilização do espaço, o ritmo conferido ao espectáculo, o domínio da expressão corporal em momentos importantes e o resultado conseguido com a selecção musical, nomeadamente -, a que a ironia e o modo de sentir locais também conferem particular realce. A peça é apresentada como uma ‘adaptação crioula’ do texto de Shakespeare, o que no espectáculo não se resume ao uso do crioulo (aliás perfeitamente entendível), a par do português, mas significa sobretudo uma actualização de um tema que não conhece fronteiras temporais e, por outro lado, a sua ‘localização’ num contexto próprio, que é o da cidade do Mindelo. Existe aí uma alegada e tradicional rivalidade entre os bairros de Ribeira Bote e Monte Sossego, e João Branco e a sua equipa introduziram esse facto como elemento lexical, digamos assim (podiam-se dar mais exemplos, como o ambiente da Praça Nova), de u mundo onde o espectador cabo-verdiano melhor se pode reconhecer, ainda que outros públicos apercebam igualmente do sentido e dos efeitos pretendidos. (...) Cabo Verde e a sua rica história cultural ajudam-nos a compreender que um grupo de teatro com seis anos possa surpreender-nos desta maneira e demonstre possuir uma idéia clara do que está a fazer.”
José Gomes Bandeira – Jornal de Notícias 09/05/99

Historial: o primeiro Shakespeare

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@ "Romeu e Julieta" (1998) - foto de Cristina Peres

Foi a primeira vez, e essa nunca se esquece.

No dia de Maio de 1998, o GTCCPM estreiava a peça "Romeu e Julieta", de William Shakespeare. Pela primeira vez na história do teatro cabo-verdiano, o maior dramaturgo de todos os tempos «falava» em língua di terra.



Romeu e Julieta

Ficha Técnica

Adaptação e Encenação
João Branco
Assistentes de Encenação
Carla Sequeira e Paulo Cabral
Coordenação na tradução para o crioulo
Mário Matos
Cenografia
João Branco e Paulo Miranda
Figurinos
Anilda Rafael
Desenho de luzes
César Fortes
Som
Anselmo Fortes
Aderecista
António Coelho

Actores / Actrizes

1. OS CARDOSOS DE MONTE SOSSEGO

Ludmila Évora: julieta
Anilda Rafael: sra. Cardoso – mãe de julieta
Manuel Estevão (actor convidado): sr. cardoso – pai de julieta
Nelson Rocha: teobaldo – primo de julieta
Zenaida Alfama: ama – criada da família cardoso
Paulo Cabral: paris – noivo prometido de julieta
Reolando Andrade: abrão – companheiro de teobaldo
Roseno Rocha / João Paulo Brito: companheiro de teobaldo
Nilton Sequeira / Marlon Costa: companheiro de teobaldo

2. OS MONTEIROS DE RIBEIRA BOTE

Flávio Leite: romeu
Paulo Miranda: mercúrio (maior amigo de romeu)
Arlindo Rocha: benvindo (primo de romeu)
Edson Gomes: gregório (amigo de benvindo)
Hélder Antunes: companheiro de benvindo
António Coelho: companheiro de benvindo
Ângelo Gonçalves: pai de romeu
Maria da Luz Faria / Maria Auxilia Cruz: mãe de romeu

3. OS NEUTRAIS

João Branco / José Évora: frei lourenço
Jorge Ramos / João Branco: principe – autoridade local
Dijenira Margarete / Elisabete Gonçalves: rosalina
José Évora / João Paulo Brito: narrador e vendedor


Apresentação

Dias 30 e 31 de Maio e 5, 6 e 7 de Junho de 1998, no Centro Cultural do Mindelo
Dias 7, 8 e 9 de Maio de 1999, no Grande Auditório do Teatro Rivoli (Porto)
- Participação no Ciclo Morrer D’Amor -


A CONFIRMAÇÃO DE UM PERCURSO
De Corpo e alma
Ou o Diabo os leve a ambos

Texto inserido no programa da peça «Romeu e Julieta»


"Shakespeare, de quem não há dúvida era o mais dotado autor inglês e talvez o maior dramaturgo de toda a história do teatro, escreveu em inglês, para os ingleses da era isabelina e cremos, sem pensar muito na posteridade ou de que algum dia pudesse ser traduzido e adaptado no crioulo de Cabo Verde (oxalá um dia o seja!)"

Leão Lopes in "O que poderá ser o teatro cabo-verdiano no futuro" edição Revista Mindelact nº0, pag.27, jan-jul 97


O Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo gosta de arriscar. Basta ver o seu historial. Depois de Albert Camus, Oscar Wilde, Victor Hugo e Garcia Lorca chegou a vez do unanimemente considerado o maior dramaturgo da história do teatro: Willian Shakespeare e daquela que é, porventura, uma das suas obras mais populares e mais adaptadas ao longo dos tempos: Romeu e Julieta. Apesar das velhas e gastas discussões sobre se perde desta forma o nosso teatro a sua identidade cabo-verdiana - nós sempre defendemos que não - este tem sido por agora o caminho escolhido pelo grupo e com o mais importante dos resultados: salas cheias, pessoas satisfeitas, risos e lágrimas, sinergia comum entre quem está no palco e quem assiste aos espectáculos.

Teatro de qualidade sempre foi o nosso desafio. Se é verdade que os nossos parâmetros e exigências próprias tem aumentado, o público, o nosso público, em crescendo e reconquistado a cada nova estreia, (e já lá vão 17 produções) sempre foi e sempre será soberano. A conclusão de que determinada aposta foi ganha nunca será feita por nós, parte interessada, e cuja análise do objecto artístico nunca poderá ser desinteressada e desligada do sentimento generalizado de que tudo foi feito para ser apresentada uma obra no mínimo interessante e cativante. Essa análise sempre foi e sempre será feita pelo outro lado. O público. E este, perdoem-me os fundamentalistas que insistem numa retórica que chega a ser intelectualmente desonesta, tem-nos dado carta branca para continuar. É o que faremos enquanto se mantiver acesa esta paixão que todos os membros deste grupo sentem pelas artes dramáticas, enquanto que os actores e actrizes que todos os anos "lançamos" nesta aventura mostrarem o talento e a coragem que evidenciam, mais uma vez, neste espectáculo.

Esta é uma adaptação moderna do texto shakespeareano, não se tendo procurado uma boa adaptação da peça, no sentido de manter a fidelidade absoluta à concepção original, mas sim rever e transpor a história para os tempos modernos, através de uma linguagem teatral que as novas gerações possam absorver mais facilmente.

De qualquer maneira, a grande maioria das palavras usadas na peça, são directamente originárias da pena genial do dramaturgo inglês. Os diálogos e monólogos, cuidadosamente traduzidos para o crioulo pelo Sr. Mário Matos, foram respeitados (e como ficam belos muitos excertos de Shakespeare traduzidos e falados em crioulo!). A adaptação sofreu alguns cortes, resultado de uma necessidade de modernização do texto original e de um maior ritmo e pulsar da peça, mais ao estilo dos frenéticos anos 90. Mas é curioso verificar como todo o texto que fica, apesar de escrito há mais de duzentos anos, se mantém actual. Aqui, a universalidade, não é só espacial mas também temporal, o que comprova a genialidade do autor.

Mindelo dos anos noventa e a sua juventude são retratados como a vemos hoje todos os dias. As suas guerras, as suas paixões, as suas roupas (predominância absoluta para o branco e preto), os seus tiques. A influência da cultura anglo-saxônica, mormente norte americana, bastante vincada na nossa juventude de hoje, principalmente do Mindelo, está presente ao longo do espectáculo. O sentido de humor e a fina ironia, que pensamos ser uma das mais peculiares características do cidadão do Mindelo, assim como de muitos textos de Shakespeare, estão também presentes ao longo de todo o espectáculo, em muitos dos personagens e em várias das peripécias ao longo do desenrolar da história, que de qualquer forma, mantém o seu cunho extremamente dramático.

A história é a mesma de sempre. Amantes de famílias rivais, neste caso oriundas de dois bairros do Mindelo, - Ribeira Bote e Monte Sossego - o amor impossível e a tragédia final. No fundo é também, e de certa forma, o exacerbar do amor físico. Romeu desiste do amor de outra, e ambos se entusiasmam pela mera aparência um do outro, numa cena que se poderia passar (quantas vezes se passa…) na nossa Praça Nova, num sábado à noite.

O romantismo que hoje é assumido pelos jovens de forma superficial e ligeira, quase leviana, por vezes com grandes distâncias entre o que se diz e o que se faz na vida, tem nesta história um tratamento o mais sincero possível. Acreditamos que o verdadeiro romantismo, e que paira latente e envergonhado sobre as nossas cabeças, se possa revelar nos corações adormecidos de quem vir esta história de amor, do nosso Romeu e da nossa Julieta, jovens cabo-verdianos, sem preconceitos nem medos de sentir a magia do verdadeiro amor vivido. De corpo e alma, ou o Diabo os leve a ambos.

Maio 98 / João Branco

MÁRIO MATOS – COORDENADOR NA TRADUÇÃO PARA O CRIOULO

Escrever em crioulo não é fácil. Mas também não é difícil. Tudo depende do assunto a tratar.

No caso de "Romeu e Julieta", não foi fácil. É uma peça teatral daquele que foi o maior poeta dramático da Inglaterra – Willian Shakespeare.

A dificuldade era passar para o crioulo uma peça dramática, traduzida do inglês para o português. Era preciso manter todo o dramatismo que Shakespeare pôs na sua obra. Esta é que foi a maior dificuldade.

De parabéns está o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, no prosseguimento desta nova forma de fazer teatro.

Maio 98 / Mário Matos