Peça em Imagens: Os Amantes (2010)

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«Os Amantes»

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«Os Amantes»

FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DO MINDELO - MINDELACT 2010


PALCO PRINCIPAL - dias 20 (às 21:30h), 21, 22, 23 e 24 (às 20:00h)
Armazém Columbim

EXTENSÃO PRAIA - dias 27 (às 19:00 e 21:00 h) e 28 (às 21:00 h)
Instituto Internacional de Língua Portuguesa (Palácio Cor de Rosa)


Ficha Artística


DRAMATURGIA
Adaptação da peça Quartet de Heiner Muller


ENCENAÇÃO E DIRECÇÃO ARTÍSTICA
João Branco


ASSISTENTE DE ENCENAÇÃO
Elísio Lima


ESPAÇO CÉNICO
João Branco


INTERPRETAÇÃO
Caplan Neves, Nelson Rocha e Sílvia Lima


FIGURAÇÃO
(NO MINDELO)
Josi Rocha e Romilda Silva


PRODUÇÃO
Centro Cultural Português - IC / Pólo do Mindelo

CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA
M/16

DURAÇÃO
60 minutos, sem intervalo

IDIOMA
cabo-verdiano e português


Adaptação livre em cabo-verdiano da peça Quartet de Heiner Muller que, por sua vez foi inspirado no romance epistolar de Choderlos de Laclos, As relações perigosas.

O dramaturgo afirmou uma vez que a peça Quartet é uma verdadeira comédia, um jogo sexual que mergulha de forma cínica na luta de classes, apresentando dois personagens ambíguos e intrigantes da Aristocracia Francesa: Merteuil e Valmont. A acção dramática oscila "entre um salão durante a época da Revolução Francesa e um Bunker após a 3ª Guerra Mundial", segundo escreve o autor na primeira e e mais significativa didascália da obra, já que nos indicia a sua clara imtemporalidade.

Os personagens da peça desdobram-se em quatro ou mais personagens, trocando de identidade e sexo numa brincadeira sem avisos. As sugestões cénicas são de forte cunho surrealista, com poucas didascálias, o que nos permite uma maior liberdade de criação. Assim, todo o espectáculo viverá do jogo entre dois universos paralelos, já que apesar da peça original ter apenas dois personagens, este espectáculo terá 2 actores e 1 actriz em cena, numa espécie de espelho cénico criado para confundir e baralhar os dados lançados pela situação criada.

Num ambiente extremamente intimista, uma linguagem crua, personagens em estado de decadência profunda em constante luta contra o tempo e a sua própria imagem no espelho, "Os Amantes" será um espectáculo que não deixará ninguém indiferente.




»Os Amantes», sobre a peça

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Apraz-me a ideia de ver o Quarteto de Heiner Müller representado no Mindelact que se aproxima, por uma companhia nacional. Porque será?

Não se exibe ali gente casta mas criaturas que se arrastam rasamente no rasto gosmento de si próprios. Não se exibe o amor. A sedução e a decadência são a carne vã, onde só o esqueleto importa. Tal como o afirma, Heiner Müller exibe a estrutura das relações entre os sexos tal como lhe parecem verdadeiras. Ele nos mostra a natureza de um liame. Não de amor, não de cumplicidade (a cumplicidade que existe entre essas criaturas é uma fatalidade), não de sedução (embora tudo pareça rodar a volta deste factor). A natureza deste liame é a dependência. Heiner Müller apresenta-nos duas criaturas narcísicas, intensamente auto centradas, mas ligados por um laço de dependência atroz. Criaturas sem Deus, que reconhecem no amor uma “ilusão dos criados”, na virtude “uma doença infecciosa”. Criaturas abandonadas a si próprias. Só se possuem um ao outro, mas não passam de desagradáveis espelhos onde se reflecte sua mútua decadência. Presos numa carne podre quando a carne é a única coisa que se possui. O reflexo do vazio que diariamente cresce.

Quando a noite empurra a carne para as luzes vermelhas da cidade, reflectindo tanta diversão e tão pouca alegria, vê-se tantos olhos que se ignoram, presos à carne jovem e bela que o tempo se ocupará de encher de vermes. Vêm-se tantas criaturas inacessíveis, procurando na carne em vez das pessoas, a experiência subjectiva de ser. Ser é ser amado. Seduzo logo existo. Mas os objectos da sedução só possuem a débil existência da novidade. E o nada por dentro continua crescendo, exigindo sua vítima diária para se preencher. Procurando na carne sem face, a repetição abstracta de existência.

A duplicidade solitária dos casais entregue a si mesmos, é algo que me intriga profundamente, todas as vezes que me assalta a insatisfação generalizada com os relacionamentos íntimos que vemos hoje em Mindelo. Ver Valmont e Merteuil entre as nossas ruas, faz-me desejar gritar aos ventos que a natureza do liame entre esses seres que se tocam na intimidade da carne, não pode ser só isso. Faz-me desejar gritar que Heiner Müller estava errado, que o amor existe, a única transcendência necessária. Faz-me querer gritar às duplicidades solitárias que não estão sós, que o amor lhes transcende na mediada em que os une.

Apraz-me a ideia de ver o Quarteto de Heiner Müller em Mindelo. Quem sabe alguém queiri depois gritar comigo.

Caplan Neves




Mindelact 2010

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Como vem sendo hábito, o nosso grupo vai participar em mais uma edição do festival internacional de teatro do mindelo - mindelact 2010, que decorre entre 16 a 26 de Setembro. Apresentaremos, em estreia absoluta, a peça «Os Amantes», nos dias 20, 21, 22, 23 e 24. Depois viajaremos para a cidade da Praia, para apresentações nos dias 27 e 28 de Setembro.

Da equipa final da peça, além de João Branco, na direcção artística, temos Sílvia Lima, Nelson Rocha e Caplan Neves na interpretação e Elísio Leite, na assistência de encenação.

No próximo Sábado, dia 11 de Setembro, haverá um ensaio assistido, na sala do Centro Cultural Português.


Mulheres na Lajinha de volta!

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No âmbito de um convite feito pelo Banco Comercial do Atlântico, o Grupo de Teatro do CCP - IC, vai apresentar no próximo dia 09 de Setembro, a peça «As Mulheres na Lajinha», na Academia Jotamont do Mindelo.

Divertido vai ser, no mínimo!


Comunicado "Os Amantes" adiado

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É com profundo pesar que informamos todos os interessados que a estreia da peça "Os Amantes" foi adiada por motivos alheios ao grupo e à equipa que integra a mesma. Uma nova data está ainda pendente de outras questões, pelo que não é possível, no presente momento, dar qualquer informação adicional sobre esta nova produção do nosso grupo.

Saudações Teatrais





Amantes

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Eis a primeira imagem de promoção, com as actrizes Thai Brum e Silvia Lima.




"Os Amantes"

Estreia dia 19 de Fevereiro
Algures num edifício da cidade do Mindelo



Vem aí nova produção

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"Os Amantes", é o título para a próxima produção do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português - IC (44ª Produção Teatral). É uma adaptação livre em bilingue (português / crioulo) da peça Quartet de Heiner Muller que, por sua vez foi inspirado no romance epistolar de Choderlos de Laclos, As relações perigosas.

O dramaturgo afirmou uma vez que a peça Quartet é uma verdadeira comédia, um jogo sexual que mergulha de forma cínica na luta de classes, apresentando dois personagens ambíguos e intrigantes da Aristocracia Francesa: Merteuil e Valmont. A acção dramática oscila "entre um salão durante a época da Revolução Francesa e um Bunker após a 3ª Guerra Mundial", segundo escreve o autor na primeira e e mais significativa didascália da obra, já que nos indicia a sua clara imtemporalidade.

Os personagens da peça desdobram-se em quatro ou mais personagens, trocando de identidade e sexo numa brincadeira sem avisos. As sugestões cénicas são de forte cunho surrealista, com poucas didascálias, o que nos permite uma maior liberdade de criação. Assim, todo o espectáculo viverá do jogo entre dois universos paralelos, já que apesar da peça original ter apenas dois personagens, este espectáculo terá 2 actores e 2 actrizes em cena, numa espécie de espelho cénico criado para confundir e baralhar os dados lançados pela situação criada.

Outra inovação consiste no facto de o espectáculo ser apresentado num espaço alternativo, ainda a anunciar. Um edifício histórico ou uma cave abandonada da cidade do Mindelo são algumas das possibilidades, sendo certo que a peça não será apresentada num espaço convencional nem para um público muito vasto, estado previstos apenas 40 a 50 lugares disponíveis para cada apresentação, já que se pretende criar um ambiente extremamente intimista.

Uma linguagem crua, personagens em estado de decadência profunda em constante luta contra o tempo e a sua própria imagem no espelho, "Os Amantes" será um espectáculo que não deixará ninguém indiferente. A estreia está marcada para o dia 19 de Fevereirode 2010 e as incidências da montagem podem ser acompanhadas via Twitter, aqui.




Os Amantes

Ficha Artística (provisória)

Adaptação livre do da peça de Heiner Muller

Dramaturgia e Direcção Artística
João Branco

Interpretação
Caplan Neves, Nelson Rocha, Silvia Lima e Tai Brum

Figurinos
Elisabete Gonçalves

Instalação de luz
Edson Fortes


Estreia prevista: 19 de Fevereiro de 2010



No Inferno: a crítica de Ricardo Riso

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Ricardo Riso, brasileiro especialista em literaturas africanas de língua portuguesa, assistiu à apresentação da peça "No Inferno", no FESTILP, no Rio de Janeiro e escreveu uma crítica ao espectáculo que, com a devida autorização, passamos a publicar:


Uma feliz adaptação de um difícil texto de Arménio Vieira
Por Ricardo Riso

O que podemos esperar de uma peça teatral? Que ela tenha um elenco afinado e competente, uma direção segura, iluminação e música em sintonia com os factos narrados, um figurino coerente com o tema, dentre outros factores. O que acontece quando se encerra um espectáculo e encontramos o que foi supracitado e ainda nos deparamos com outras agradáveis surpresas, superando nossa expectativa? Só nos resta aplaudir, de pé, é claro, com o sorriso de satisfação escancarado e cumprimentar os integrantes da companhia teatral nos camarins. Tudo o que foi relatado até aqui é exatamente o que sentimos ao término da peça “No Inferno”, texto do cabo-verdiano Arménio Vieira e encenada pelo Grupo de Teatro do Centro Cultural Português – Mindelo/Cabo Verde, no FESTLIP 2009.

Com direção do competentíssimo João Branco, o GTCCPM foi criado no ano de 1993 e já encenou quarenta e três peças, mostrando um fôlego impressionante. O GTCCPM é hoje referência teatral em Cabo Verde e já levou para os palcos textos dos compatriotas Eugénio Tavares, Germano Almeida e Mário Lúcio Sousa, adaptou peças para o crioulo de clássicos da dramaturgia como Shakespeare, Garcia-Lorca e Samuel Beckett, além de encenar textos de autoria própria. O grupo ainda dá continuidade a sua vocação para a formação de novos actores para o teatro cabo-verdiano.

Para a apresentação no FESTLIP, o grupo encenou um texto complexo e difícil, que se refere a vários escritores tais como James Joyce, Cervantes, Shakespeare, Jorge Luís Borges, Dostoievski dentre outros cânones da literatura ocidental. A peça trata de um escritor que é trancafiado em um castelo. Sem memória, ele não sabe como ali chegou até que um telefone toca e várias regras são passadas em um discurso polifônico em que é apresentado a ele que deverá escrever um romance para conseguir sua liberdade, entretanto, somente conseguirá atingir o objetivo se um “júri” competente considerar sua criação uma obra-prima. Para tanto, ele terá uma vasta biblioteca para consulta – pois as vozes ao telefone acusam-no de ter pouca leitura, ou, se preferir, tentar decifrar inúmeros códigos que levariam anos e anos para ter sucesso.

Angustiado, o escritor parte para a criação de seu romance, mas, logo depara-se com o drama da folha em branco, da ausência de criação. O que escrever diante de tantas obras já feitas? Ele recorre à biblioteca sem sucesso, pois, contrariando o que havia sido dito pela voz ao telefone, é possuidor de uma imensa cultura literária, conhecedor de todos os clássicos da literatura. O tempo passa, seu desespero aumenta, sem contato com o mundo exterior fechado em si próprio. Fantasmas aparecem e o atormentam, revelando o inferno da criação. O branco do papel, o vazio da criação em contraste com toda a erudição que possui e com tudo já foi escrito; pólos extremos que configuram a própria morte do romance, o seu fim como gênero literário, daí ser infestado de metalinguagem, inclusive teatrais na adaptação.

“No Inferno” fala do interminável momento de caos do escritor, da atemporalidade do bloqueio criativo, da solidão a que isso reporta, que remete o escritor a ser uma ilha, isolado em um mundo de tantas possibilidades às quais não consegue atingir.

Com um elenco impecável e afinadíssimo que explora muito bem a ironia característica de Vieira, composto por Arlindo Rocha, Elísio Leite, Fonseca Soares e pelo bárbaro Manuel Estevão, destacando o seu impressionante trabalho de voz; a música tensa e correta de Caplan Neves; iluminação de Edson Fortes, figurinos de Elisabete Gonçalves e cenografia e direção a cargo de João Branco, o GTCCPM presta uma justa e bela homenagem a Arménio Vieira ao realizar esta adaptação de “No Inferno”. Peça que deveria merecer uma temporada no Rio de Janeiro.

Fonte: www.ricardoriso.blogspot.com




"No Inferno" de Arménio Vieira em digressão

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Está confirmada uma agitada carreira nacional e internacional da nossa última produção "No Inferno" que passa pelo Brasil, para se apresentar de seguida na capital do país Praia, seguindo para Portugal e terminar esta intensa fase de participações na cidade mãe, Mindelo, integrado na programação principal do Mindelact 2009. No Brasil, a primeira apresentação terá um carácter simbólico muito grande, dado que a apresentação será feita no dia 05 de Julho, dia nacional de Cabo Verde.

O impacto do Prémio Camões atribuído ao poeta Arménio Vieira, autor da obra original, assim como o prestgio já granjeado pelo nosso grupo nas muitas participações em eventos internacionais que conta no seu historial, fazem com quem muito possivelmente esta produção não pare por aqui.




A qualidade cénica, dramatúrgica e o trabalho dos actores, desta que é a nossa 43ª Produção Teatral, foram alvo de grandes elogios na estreia ocorrida no Mindelo, onde as duas apresentações efectuadas souberam a pouco, tendo ficado muito boa gente com vontade de ver (e rever) o espectáculo. E oportunidades não vão faltar, certamente.


Então é assim, o calendário de "No Inferno" para os próximos meses:

Dias 05, 09 e 11 de Julho, apresentações no Rio de Janeiro, Brasil, integrado no Festival Internacional de Teatro em Lingua Portuguesa - FESTLIP.

Dia 17 de Julho, apresentação na Praia, no âmbito da Semana Cultural da CPLP.

Dia 04 e 05 de Setembro, em Oeiras, Portugal, no âmbito do MITO - Mostra Internacional de Teatro de Oeiras.

Dia 13 de Setembro, inserido no Programa Principal do Festival Internacional de Teatro do Mindelo, Mindelact 2009.


Fotografias: Kizó Oliveira e Omar Camilo



Peça em Imagens: No Inferno (2009)

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Peça: "No Inferno"
Ano: 2009

Fotografias de Kizó Oliveira

No Inferno: uma reacção

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"Nesta terrinha bonita di meu, os críticos se confundem ainda com mandadores de boca, mas sei que bem lá no fundo este é um defeito superficial e que este é um grande país povoado de génios e talentosos amantes da cultura que apenas não se mostram porque são anónimos por obrigação ou nem por isso. Aproveito a grande democracia de opiniões e sugestões reinante nesta aldeia para mandar uma das minhas bocas: a peça “No Inferno”, adaptação do livro “No Inferno” de Arménio Vieira, excelentemente adaptada ( por que não também dizer criada) por João Branco, que leva ao palco quatro actores de grande inteligência e de finíssimo talento, merece no mínimo uma tournée nacional para dignificar o trabalho de equipa feito pelo grupo envolvido. Isso para não dizer “ uma tournée nacional no sentido de abrir a cabeça aos mais incautos, aprofundar a prática da cultura teatral entre a classe política, estudantes e jovens empreendedores ou não, fomentar a leitura de autores nacionais e mandar a bardamerda os autores de patacos, na literatura auto financiada como da manhosa poesia do zouk Nacional”. Por isso parabéns a Elisabete Gonçalves pelo figurino, a Carla Correia pelos objectos cenográficos, a Edson Gomes pelo desenho de luz, a Caplan Neves pela música original (belíssima surpresa), a João Branco, e claro aos actores Arlindo Rocha, Elísio Leite, Fonseca Soares, Manuel Estevão todos magníficos. A Manuel Estêvão no papel principal um forte aplauso pelo trabalho de voz, pela pujante interpretação. Ao conde que nos levou aso Inferno...um obrigadinho…."

Abraão Vicente (www.alamarginal.blogspot.com)


Fotografia: Doca