Deliciosa «Última Ceia»

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Comentário da peça «A Última Ceia», por Abraão Vicente:

Meio adormecido pelo clic, cada vez mais perceptível, da permanência e dos cenários mutantes, vou adiando palavras marginais. Porém, há sempre o momento em que toca o gongo e alguém em tom maroto anuncia qualquer coisa como:” o mundo vai acabar, dentro de cinco horas…”. Quando não há comparações, parece que o excelente, o sublime pode morar em qualquer acto de boa vontade. Apressados, sem onde pegar para assemelhar, gritamos estrondosos Urrass e Vivas, aplaudimos (nunca o suficiente) e nos vamos embora contentes com o que se nos ofereceu. Mas não. Esse não é definitivamente o caso. Falo-vos de um momento pleno, cheio de mágica, de risos espertos, de elevada iluminação. Um momento em que foi banido a pasmaceira da nossa aldeia e se fez teatro. No final Djinho Barbosa não resistiu e soltou:” isto é teatro aqui, na China, Austrália, Paris ou Nova York”. Sim aplausos, aplausos, aplausos para o Grupo de Teatro do Centro Cultural português do Mindelo. Delicioso foi ver, a primeira vez para mim, João Branco in cena. De resto acredito que só a prática e a experiência podem explicar a excelência do trabalho desenvolvida pelo João Branco e pelo GTCCPM. Acrescento já agora a dose precisa de inteligência para pesquisar, adaptar e por no palco textos tão fabulosos como “Apocalypse Now” de Rui Zink. Lembro-me perfeitamente o dia em que devorei esse tal livrinho, no meu quartinho de estudante na Rua Gonçalves Crespo, 27, 1, Picoas, Lisboa. Thanks JB e GTCCPM, foi muita Merda mesmo.

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