Doido e a Morte na cidade da Praia - dias 17 e 18 de Março (20:30 horas)

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Por enquanto que não chegamos na Praia, leiam o texto da Matilde Dias sobre a peça.
Impugnar pode ser sinónimo de explodir?

Numa altura em que muita gente equaciona o equilíbrio de tal questão, é de se olhar, com merecida atenção, a peça O Doido e a Morte, do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo (GTCCPM). O texto original do dramaturgo português Raul Brandão cai que nem uma luva nesta época de impugnações e/ou enganações.

Um milionário resolve instalar uma bomba relógio no escritório de um político mamador, preguiçoso e arrogante. Mais do que um protesto (também sinónimo de impugnação), é um acto de loucura contra uma forma de fazer política, em que um cargo político é visto como via de progressão na conta bancária e no status quo.

A peça fascinou o encenador João Branco, pela sua actualidade e pelas características do texto, seco e implacável, segundo palavras do mesmo. Depois do click inicial, e após um par de meses de montagem e ensaios, a 37ª produção desta companhia estreou em Fevereiro, no pátio do Centro Cultural do Mindelo (CCM). No pátio, com capacidade de cerca de 50 cadeiras, e não no palco convencional, com cerca de 200 lugares – e sem falar em outras estruturas, como som e luz.

Questionado sobre esta opção, Branco diz que não é de foro artístico e sim financeiro. E pouca gente teve a oportunidade de assistir ao espectáculo, dado que no pátio há lugar para cerca de 50 cadeiras, mais coisa, menos coisa. Mesmo assim, funcionou bem, particularmente o facto de os actores nunca saírem realmente de cena, ficando sentados ao lado do público. E há que registar igualmente o jogo de luzes que projecta imagens distorcidas dos personagens na parede, num espectáculo expressionista, onde os personagens parecem caricaturas, muitas vezes beirando o grotesco.

Impugnar pode ser sinónimo de explodir? Pode ser que sim, se a impugnação tiver como mote a sede pelo poder. E não, se for motivado por questionamentos válidos na forma de se fazer e estar na política e no poder.

Quem está na capital, pode assistir a esta farsa existencial no Centro Cultural Português da Praia, neste Março Mês do Teatro.

Matilde Dias

1 comentários:

Wilton disse...

Nada mais atual que o "Doido e a Morte", que nos deixa asfixiado esperando que a tal bomba exploda a tantos governadores que encontramos no dia-a-dia. A identificação com o Eu-Nunes de cada dia que na maioria das vezes é a solução de todos os problemas, mas precisa se rastejar.
Este espetaculo mostra mais uma vez, que os atores de São Vicente merecem toda a boa fama que tem e evidencia ainda o grande feeling, do gracioso João Branco em encontrar textos que respira a necessidade do publico e dá respostas a mesma.
Parabêns a todos que participaram neste projeto e continuem, porque as pessoas que gostam e exigem algo mais do teatro precisam de vcs para sentir seu desejo satisfeito.
Merda
Wilton Alexandre